terça-feira, 30 de setembro de 2008

Acontece que belas palavras nem sempre amarram um coração.

Batata da Bia: um cara que deixou de ser poeta após uma desilusão amorosa.

Acontece que belas palavras nem sempre amarram um coração.
Eu tinha uma musa, assim como todo poeta. Ela não se parecia com a mulher ideal do Álvares de Azevedo, mas era bem branca... tão branca que dava para ver o sangue correr pelas veias.
De tanto cismar em ser poeta, consegui conquistar os quadris inquietos da bela jovem.Fui dos quadris aos pés, dos pés aos seios, dos seios aos lábios, dos lábios aos nervos.
Ela sempre se mostrava gentil e sedutora, mas me deixava claro que naquele idílio amoroso não seria apenas uma amadora. Fui amando intensamente, destruindo o corpo dela como um furacão. E fui deixando a casa toda desarrumada para que ela não pudesse colocar os pés no chão.
Acontece que belas palavras nem sempre amarram um coração. Ela gostava de amar lento, pedia moderação, mas como eu poderia me desintoxicar aos poucos se estava loucamente sedento?
Acontece que belas palavras nem sempre amarram um coração. De desespero e paixão,sufocava minha bela musa sem qualquer preparação. Ela, todavia, uma grande vadia, fez questão em me mostrar o caminho da decepção.
É por isso que agora digo que belas palavras nem sempre amarram um coração.
Flora V.
Minha batata: quero uma história sobre as últimas horas de Machado de Assis (é para inventar mesmo).

sábado, 13 de setembro de 2008

Novas Estrelas No Céu de Philistia

Sugestão da Flora: escrever a minha própria batata e lançar uma nova, "mais fácil"... E lá vai :p

Ashira nasce em Nazaré num dia agradável de setembro de 1990, tendo sido no mesmo instante abençoada por Abba e Miriam, seus pais, em nome de Jeová. Quando a moça completou quinze anos, foi-lhe ofertada a escolha do marido - por ela negada com delicadeza, pois ainda não descobrira o verdadeiro amor em sua vida.
A família era judaica de esquerda, e portanto não lhe casou espanto a decisão da filha, acolhida com muito carinho no seio de sua comunidade mesmo assim. Espantados ficaram com a notícia divulgada pela imprensa meses depois:

JERUSALÉM, 14 Mai 2006 (AFP) - A Suprema Corte de Israel ratificou neste domingo uma lei destinada a impedir que palestinos casados com cidadãos árabes israelenses morem em Israel, alegando que constituem uma ameaça potencial para a segurança do país.

Tudo ainda estava muito confuso, ninguém sabia ao certo o que deveria ser feito. Pareciam esperar por mais notícias. Abba telefonou a seus pais e avós na cidade palestina de Belém, para acalmá-los, dizendo que ele e sua família ficariam bem.
Acontece que os ancestrais de Abba, assim como ele próprio, eram árabes da região Palestina. Ao casar-se com uma moça judaica, adotou para os filhos a religião matriarcal da esposa, e foi viver feliz em Israel. Apesar dos temores compreensíveis de seus pais, disse-lhes que os israelenses não haviam de temer um médico tão respeitável. Tal se passara em fins da década de 1980, e a vida feliz que planejara agora sofria sérias ameaças em virtude da Lei que acabara de ser aprovada em Israel.
A mudança teve de ser feita às pressas, afinal. Pela determinação do Governo israelense, Abba deveria ir-se com toda a sua família - esposa e filha única - de volta à Palestina, o mais rápido possível. Ficaram instalados em casa de um primo de segundo grau de Abba, pois seus pais já doentes não tinham condições de lhe oferecer asilo. O homem temia pela filha e pela esposa, que agora eram minoria naquela terra cuja palavra de ordem era "Intifada". Mesmo assim, aceitou o abrigo do parente distante, e ali moraram por um tempo, até que Abba conseguisse voltar ao trabalho e se pusesse à procura de uma casa decente.
Somente no dia da partida, quase um ano mais tarde, ao notar a tristeza inconsolável da filha, deu-se conta: no tempo que se passara, o amor habitara o coração de Ashira. A moça estava perdidamente apaixonada por Dawud, filho mais novo de seu primo. Ambos eram quase da mesma idade, com uma diferença não maior que dois anos a mais no rapaz.
Abba decidiu conversar com Miriam, que achou formidável a idéia do marido: fazer a proposta formal. Ashira e Dawud casaram-se em cerimônia judaica, repetindo os passos de Abba duas décadas depois.
Mas se o passado era sombrio, o presente trouxera a Ashira seu sorriso de volta, que perdera desde que saíra de onde fora seu primeiro berço neste mundo insano.
[by Bia de Barros
Nova Batata: um cara que deixou de ser poeta após uma desilusão amorosa.