quarta-feira, 27 de fevereiro de 2008

Memórias em um cinzeiro.

Bom, aceitei pegar na primeira batata (ui). O desafio lançado por Aline Dias foi o seguinte: fazer uma história sobre uma dançarina de can can. Segundo ela, "alguns elementos não podem ser deixados de fora da história, e eles são: vinho, vermelho, chapéu, lua". Espero que gostem. E a história é...


... Memórias em um cinzeiro.

Julie transpirava amargura. Acendeu seu longo cigarro, colocando-o entre os lábios pintados de um vermelho berrante. Estava sentada em sua poltrona desgastada, com as pernas pousadas sobre a escrivaninha de madeira envelhecida. Como ela. Sobre o móvel estavam um cinzeiro transbordando guimbas de cigarro, uma garrafa de vinho barato e um gravador. Julie encarou esse último e bebeu mais um longo gole do vinho. Pegou o gravador e apertou play.

Sei que vou morrer. Sei que vou morrer e nada mais me agrada nesse momento senão minha morte. Minha doce Amy está me esperando, e isso me dá forças que não existem para um último adeus. Mas eu prefiro dizer até breve. Não quero falar de mim, quero falar de Amy. Preciso que todos saibam que ela foi, é e sempre será a que amei mais do que tudo nesse mundo. Ah, Amy...

Julie, apertou pause e silenciou-se. Ficou alguns minutos assim, com os olhos azuis cheios de lágrimas observando a lua pela janela. Acendeu outro cigarro.

Naquela noite havia uma lua exatamente assim, redonda e brilhante. Você se lembra, Amy? Eu não poderia esquecer. Foi ela que iluminou seus passos até mim. E eu tive certeza no momento em que te vi. Certeza de que era você, e ninguém mais, que faria meu coração bater daquela forma para todo o sempre. Mesmo que naquela hora sua maior preocupação fosse me pedir um simples emprego de faxineira. Mas eu sabia que você poderia ser muito mais, Amy, muito mais. E os anos que se seguiram comprovaram isso. O seu sucesso ofuscou o meu, mas não me importei, porque seu sorriso depois de cada noite era minha recompensa. Seu sorriso que fazia valer à pena cada noite torturante em que seu brilho era maior do que de todas as outras dançarinas, cada noite em que via todos aqueles olhares masculinos repletos de desejo depositados sobre seu corpo e aquelas mãos que tentavam lhe tocar em vão. Eles não sabiam, mas você era minha. Você não sabia, mas era minha.
Ah, Amy, como seus sonhos me enchiam de pavor. Você queria um grande amor, partir e conhecer o mundo, eu não podia deixar. Eu era seu grande amor, como não podia enxergar isso? Eu rezava sempre para que seu príncipe encantado nunca chegasse. Mas ele chegou. E quando ele tirou o chapéu em uma reverência e eu te vi apaixonando-se por ele... Amy, me desculpe. Me desculpe.

As mãos de Julie tremiam. Apagou o cigarro no cinzeiro, e terminou de beber o que restava do vinho. Abriu a única gaveta da escrivaninha, e retirou uma faca com manchas vermelhas e escuras. Ficou olhando melancolicamente para as manchas, mas seu próprio sangue foi a útima coisa que viu.



E eu desafio as blogueiras com o seguinte tema: uma garota que vira soldado e vai para a guerra. A história deverá conter: céu estrelado, banco na praça e cartas envelhecidas com o tempo. Batata quente lançada e boa sorte!

11 comentários:

Aline Dias disse...

eu gostei, menina darshany.

bem diferente do que eu esperava. mas muito bom.

Marcus Vinicius disse...

gostei,
muito bom garota!
um abraçoo

Renato Barbosa disse...

Bela historia ..
Podemos muito vezes incluir .. frases, textos e poemos em nossa vida ..

Pois nesse momento .. penso .. reflito:

Podemos viver sem quem amamos ?
Podemos superar a dor da perda?
Entre outras duvidas sem resposta ..

Gostei muito do blog ..

bjs fui ..

http://renatobarbosa.blogspot.com/

caio arroyo disse...

Caramba quando eu tinha blog com texto mais no estilo do seu sempre entrava nessa, nossa é muito complicado escrever algo com o tema escolhido por outro, mas tambem é um excelente treino para criatividade e ficou bem interessante

darsh. disse...

thanks.

Fê! disse...

achei que ia chegar aqui e encontar algo no melhor estilo 'Moulin Rouge"
criatividade é uma coisa que eu admiro E MUITO!
não sei pq no meio da leitura já imaginava o final...


beijo

crivilin disse...

^^ gostei bastante, menina do casaco verde,

bejão!

Marcus Vinicius disse...

vlw por ter passado
no meu blog espero q vc passe sempre!
tou passando não soh pra agradecer mais pra dizer q vc escreve muito bem!
um abraçoo

Camila Bellon disse...

Não gosto de facas... mas aquelas com sangue pingando são assim, atrativas.

L.S. Reis disse...

Ei li tentando adivinhar se era a Darshany ou a Camila que tinha escrito ^^

Adorei tudo!

Batatas criativas, sucesso =D

Fiore disse...

UhuuuuuuuuuLL!
superou qqr clássico dramalhão hollywoodiano!
AMEI!

=*