quarta-feira, 7 de outubro de 2009

Obviedades

Batata da Darshany: a história e a decisão de uma garota que namora há 5 anos, mas fará intercâmbio de 1 ano na Austrália. Trilha sonora de Alanis Morissette, em minha homenagem.



A cena mais clichê de despedida no aeroporto, com lágrimas que secam no vôo para o outro lado do mundo somente porque o sono lhes roubou, terminava ali, no destino final, com o primeiro sorriso involuntário.

Marie nem se lembrava mais que a capital australiana tinha esse nome gracioso, remetendo a um latido duvidoso. Entretanto foi esse, dentre todas as outras infinitas alternativas possíveis, o primeiro pensamento que lhe ocorreu ao chegar naquele que seria seu país hospedeiro pelos próximos doze meses. Claro que não veio sozinho. Os olhos, o cheiro, o cabelo que lhe seguiam por todos os lados, que não lhe deixavam, estavam ali, sorrindo da sua descoberta da roda num letreiro de aeroporto.

Entrou no táxi, e lá estava ele outra vez, na caixa de som, sussurrando "We'll fast forward till a few years later...". Como se doze meses passassem rápido para eles, que se apaixonaram em menos de doze segundos, numa cafeteria. "Destino, senhorita?" Ah, senhor taxista, em direção ao Inferno na Terra, por favor, com todos os anjos com um sorriso igual ao dele, com todas as roupas dele desfilando na janela, com todas as músicas de Alanis dessa rádio australiana... E as lágrimas voltando outra vez. Ao inferno tudo isso; pelo atalho, por favor.

Agora Marie olha aquele ceuzinho de casa com janelinhas lilases e rosas no jardim, seu novo Doce Lar, com família reunida na hora do jantar, e lhe falta o chão. Não como se um buraco se abrisse na terra e a engolisse, um terremoto brusco lhe sacudisse ou um meteoro sumisse com o planeta. Era algo sutil, o sussurro dele, aquele último pedido, que a brisa trouxe. Sutil como um trovão, desnorteador. Por que para ele parecia tão fácil esperar? "You don't seem too minded..."

Volta a cena clichê do aeroporto, e agora ela vê em suas costas, como se fosse uma terceira pessoa, que ele não chorou. Depois de sussurar em seu ouvido que, apesar de para amigos e família e todos os mortais eles terem dado um tempo, ele a esperaria; depois de pedir segredo dessa promessa que lhe fazia, ele sorriu de alívio...

"Aquele filho da mãe..." Pensava, enquanto mentalmente agradecia à canção que lhe dava palavras que ela de outra forma não teria para expressar o que sente. ("What part of our history is reinvented, and under rug swept?")

Marie só pensou em um último pedido - ou ordem, na verdade, àquele que por cinco anos lhe jurou amor eterno, antes de entrar no fogo do inferno que lhe daria a prova definitiva de que aquele amor já não deveria mais existir dentro de um coração que aos poucos, se libertaria:

"Fade out".

Em seguida, lavou as mãos e foi jantar em paz com sua nova vida. ("What with this distance it seems so obvious?")

by biadebarros*

*Minha batata
: um amor impossível que deu certo, porque tinha que dar certo, e porque todas as teorias de que ia dar errado tinham que falhar. Com trilha - oh, crueldade - de Coldplay.*

6 comentários:

Shelha disse...

No dia qaue a biadebarros publicar alguma coisa vou ser a primeira na fila pra comprar.

Vou te contar esse texto foi f***! Num curto Alanis, mas encaixou legal. Crueldade mesmo é essa batata da Bia. Coldplay??? Pior, só Radiohead.

darsh. disse...

já li há tempos. mas agora deu tempo de comentar: você me emociona.

eu simplesmente amei.

Lari Bernardi disse...

Oh God,
nao podia ser mais perfeita... @.@

Tia Alanis rulesss

;*

Rodrigo disse...

OLa passando para uma visita ,, muito bom seu espaço.. aguardo a sua

Um grande abraço.

http://coisasetcetaldigo.blogspot.com/

Aline Dias disse...

ô bia bia.
tão você esses meteoros.

Pobre esponja disse...

Gostei dessa frase das teorias do amor... Lol! Tudo da certo no fim, se não deu ainda é porque não chegou o fim.

abç
Pobre Esponja