A batata que Bellon passou (Um garoto que roubava, uma mãe religiosa. No texto, um skate, uma noite chuvosa e uma "coroa" rica.) foi tensa, pra mim. Mas segue o que minha mente insana pode fazer:
- Alguém me disse que o cigarro prolonga a sensação de prazer.
- Não gosto de cigarros.
- Grande coisa. Não gosto de chuva e você faz pior que fumar um cigarro.
- Não estou tentando me suicidar aos poucos.
- Puritano demais pra quem estava mais cedo tentando roubar uma casa.
- E vai ficar jogando isso na minha cara?
- Claro. Era a minha casa e só deu errado por que estava chovendo.
- Está chovendo. E por que você insiste em dizer que deu errado?
- Você não está na minha cama por que eu sou bonita, garoto.
- Você é bonita.
- Eu sei. Mas você só está na minha cama por que o seu plano deu errado e você tinha que dar um jeito de compensar.
- Que tara doida é essa de ficar jogando as coisas na minha cara.
- Eu te peguei, garoto.
- Não gosto da fumaça na minha cara.
- Não gosto de chuva.
- Por isso não saiu como sempre faz?
- Andou me espionando?
- Precisaria?
- Sua mãe não ia gostar de saber que você andou me espionando.
- Minha mãe não ia gostar de saber que eu estive na sua cama.
- Você é tão bonito, menino. Tão bem traçado, forte, gostoso mesmo de morder...
- E daí?
- E daí que é estranho menino bonito como você assim roubando.
- A fumaça.
- A CHUVA!!
- Não posso parar a chuva.
- Não vou parar a fumaça.
- Vou embora.
- Como?
- De skate.
- Descer a ladeira assim com chuva e ainda correr o risco de a sua mãe saber de tudo?
- Vai contar pra ela?
- Se arriscou demais vindo roubar a casa de uma amiga dela.
- A mais bonita amiga dela.
- Você não está aqui por isso. Ser bonita não implica ter algo a ser roubado.
- Vai ficar jogando na minha cara?
- A fumaça e o roubo.
- Vou embora.
- Depois que me chupar uma última vez. Aí penso se conto ou não pra sua mãe.
- Não vai contar.
- Por que?
- Ela enfarta.
- Devia ter pensado antes.
- Você não quer que ela saiba da gente.
- Eu sou uma adúltera, você um ladrão. É tudo pecado, mas você é o filho dela. O que é que vai doer mais, se o filho vem a imagem e semelhança do pai?
- Vou embora.
- Pare de ameaçar e vá.
- Sim. Vou.
- Estou vendo.
- Esse cigarro não acaba nunca?
- Já acendi outro.
- Pra que?
- Estende o prazer, moleque.
E passo a batata pra quem estiver a fim de escrever uma releitura moderna de algum conto de um conto de fadas, mas quero a Branca de Neve, A Bela Adormecida ou a Cinderella. E quero alguma música dos Beatles de trilha definitiva e aparente.
*só pra mandar vcs assistirem "Across the Universe"
Beijos e batatas passadas.
The Peanuts Movie (2015)
Há 9 anos
10 comentários:
UAU, você é DEMAIS.
E uma boba também, porque assisti Across the universe antes de você.
;*
Texto maneiro.
Across the Universe é legal.
bjs
Adorei o texto!!!!
Mas, mais ainda, adorei o conceito do blog e tudo o mais: as propostas, os textos que surgem (apesar de só ter dado uma lida superficial)... mto interessante!!
Quero ler tudo!!!
Vou favoritar no meu, okay?
Bjs,
Interessante.
E viva o "fumacê"
Muito bom o texto, os textos. Mas o que eu mais gostei mesmo foi a idéia do blog. Muito 10!
ei, isso é LEGAL!
e eu tava com pregs de ler, hein.
Também detesto fumaça.
amo chuva odeio cigarro!
não sei se foi aqui mas textos que fazem a gente imaginar bem direitinho a cena são os melhores.
Tá aí um dele
beijo
Isso foi DEMAIS.
Deu pra viajar lendo isso.
Beeejo!
Postar um comentário